Digite o que procura

Blog

Relíquias em sambaquis

Relíquias em sambaquis

Sambaquis : 10 mil anos de história

alta_pessoa_IA sambaqui_IA_2

Estruturas formadas por conchas ajudavam na proteção das comunidades indígenas. Ao lado, Forno de caieiras, próximo ao sambaqui de Guaraguaçu: material era queimado para produção de cal e argamassa, usadas nas edificações das cidades litorâneas

Parte dos costumes e modo de vida dos povos que habitaram o litoral paranaense há mais de 10 mil anos permaneceram preservados em pelo menos 340 sambaquis. Os sítios arqueológicos, chamados de Sambaquis, são formados por cascas de moluscos e estão espalhados por todos os municípios da região. Mais do que um simples amontoado de conchas, as estruturas ajudam a contar como foi a evolução do estado por meio da moradia, da alimentação e dos rituais religiosos.

As grandes montanhas – algumas passam dos 30 metros de altura – localizadas próximas aos rios e às baías logo chamaram a atenção dos europeus no período de colonização, durante o século 16. A curiosidade estendeu-se até meados do século 20, quando foram realizados os primeiros estudos de especialistas. As dúvidas eram referentes à formação natural dos sambaquis ou se eles foram criados pelas próprias comunidades, que utilizaram os restos dos alimentos que vinham das águas.

Os estudos revelaram comunidades complexas e numerosas, devido ao número de sepultamentos nos sambaquis (com grande potencial de preservação devido ao cálcio das conchas). A oscilação no nível do mar que, com o passar dos anos, recua e avança pela costa, também contribuiu com a movimentação das comunidades pelo litoral. Este fator leva os estudiosos a acreditarem que os sambaquis mais antigos estejam submersos.

Protegidos

A legislação federal impedindo que os sambaquis sejam devastados, só entrou em vigor em 1961, mas não evitou que muitos sítios desaparecessem. Durante a colonização do estado, as estruturas foram utilizadas na construção das cidades históricas como Paranaguá e Morretes, em que as conchas eram queimadas para a produção de cal e argamassa. A poucos metros do sambaqui de Guaraguaçu, em Pontal do Paraná, ainda há a estrutura do forno de caieiras, que abasteceu a produção de cal das edificações parnanguaras. Séculos depois da construção das cidades, as rodovias estaduais do litoral também foram pavimentadas com sambaquis.

Estruturas revelam estilo de vida

As pesquisas nas estruturas dos sambaquis revelam inúmeros objetos e rituais das comunidades. Restos mortais, alimentos, adornos, esculturas com formas de animais típicos da costa litorânea e outras peças entre as conchas, fazem parte da história deixada pelas populações. Os rituais de sepultamentos são alguns dos mais estudados. A posição dos corpos e os adereços próximos a eles indicam o sexo do habitante que foi enterrado. Os homens eram sepultados de lado, com sua rede e seu machado juntos ao corpo. Mulheres e crianças eram envolvidas em mantos de penas trançadas.

11772330_B aderecos_ossos_aN

Artefatos achados nos sambaquis contam como era a rotina dos índios do litoral
Fonte Gazeta do Povo

POSTAR COMENTÁRIO

Seu endereço de email não será publicado.